André Mendonça apresenta notas de R$ 26,4 mil para rebater suspeita sobre ternos ligada ao caso Master

Sophie Bramley
Por Sophie Bramley 11 Min Read

Ministro do STF apresentou documentos de compras realizadas em alfaiataria de luxo após divulgação de mensagens que levantaram suspeitas sobre possível pagamento de roupas por pessoas próximas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça apresentou duas notas fiscais que, juntas, somam R$ 26.430 em compras realizadas em uma alfaiataria de luxo. Os documentos foram apresentados pelo gabinete do magistrado depois que surgiram suspeitas de que ternos utilizados por Mendonça poderiam ter sido pagos como presente por pessoas relacionadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

A suspeita ganhou repercussão após a divulgação de conversas envolvendo Ciro Rocha Soares, advogado apontado como próximo a Vorcaro. As mensagens mencionavam uma ida de Mendonça à alfaiataria e faziam parte de um conjunto de informações sobre tentativas de aproximação do ex-banqueiro com integrantes do Supremo. Diante da repercussão, o ministro apresentou os documentos para sustentar que houve pagamento pelas peças.

As notas obtidas pela imprensa registram duas operações realizadas em fevereiro de 2025. Uma delas envolve R$ 16,5 mil em compras de peças sob medida, enquanto a segunda registra outros R$ 9,9 mil. Somados, os documentos chegam aos R$ 26.430 divulgados pelo gabinete do ministro.

O que mostram as notas apresentadas por Mendonça?

Os documentos apresentados estão relacionados a compras feitas em uma alfaiataria de luxo de São Paulo. A primeira nota registra uma operação de R$ 16,5 mil, envolvendo camisas, ternos e conjuntos confeccionados sob medida.

Uma segunda compra, realizada posteriormente em fevereiro de 2025, registra R$ 9,9 mil em blazers sob medida e acessórios. A soma das duas operações alcança R$ 26.430.

Segundo as informações divulgadas pela imprensa, um dos documentos foi registrado em nome da mulher do ministro, Janey Nagliatti Mendonça. O gabinete reuniu as notas depois que a compra das roupas passou a ser mencionada no contexto das informações relacionadas ao Banco Master.

A apresentação desses documentos constitui a resposta de Mendonça à suspeita específica sobre as roupas. O episódio, entretanto, está inserido em uma controvérsia mais ampla envolvendo contatos e tentativas de aproximação entre personagens relacionados ao Banco Master e autoridades.

De onde surgiu a suspeita?

A controvérsia surgiu a partir da divulgação de mensagens atribuídas a personagens ligados ao entorno de Daniel Vorcaro. Nas conversas, Ciro Rocha Soares mencionava ter acompanhado Mendonça até uma alfaiataria para a confecção de um terno.

As mensagens chamaram atenção porque também faziam referência a tentativas de aproximação do então banqueiro com o ministro. A partir desse material surgiu a hipótese de que as roupas poderiam ter sido oferecidas como presente.

Foi justamente essa interpretação que Mendonça procurou contestar ao apresentar as notas fiscais. Os documentos mostram registros de compras correspondentes às peças e aos valores divulgados pelo gabinete.

É importante observar que a existência das mensagens e das suspeitas não equivale à comprovação de que Mendonça tenha recebido benefício indevido. A resposta do ministro e os documentos apresentados fazem parte dos elementos que precisam ser considerados ao analisar o episódio.

Mendonça confirma encontro com Daniel Vorcaro

Além da discussão envolvendo as roupas, Mendonça confirmou ter se encontrado com Daniel Vorcaro. Segundo a versão apresentada pelo ministro, houve apenas um encontro, realizado em março de 2025.

A reunião ocorreu fora da agenda oficial do STF e, segundo informações divulgadas sobre o episódio, aconteceu no escritório do Instituto Iter, organização fundada por Mendonça antes de seu afastamento das atividades da entidade.

O ministro afirmou que o encontro ocorreu por iniciativa do próprio empresário e que se limitou a ouvi-lo. Também informou que recebeu representante jurídico relacionado ao ex-banqueiro e que documentos apresentados foram arquivados em seu gabinete.

Esses contatos passaram a receber maior atenção devido aos desdobramentos posteriores envolvendo o Banco Master e às investigações que alcançaram diferentes personagens do setor financeiro e do ambiente institucional de Brasília.

Por que o episódio ganhou repercussão?

O assunto ganhou dimensão porque envolve um ministro do Supremo e personagens relacionados a um caso financeiro de grande repercussão nacional. Contatos entre autoridades e pessoas interessadas em processos ou investigações podem gerar questionamentos sobre transparência, agendas e potenciais conflitos de interesse.

No caso específico das roupas, o ponto central da controvérsia é saber quem efetivamente arcou com os custos. Mendonça apresentou notas fiscais para contestar a versão de que teria recebido os ternos como presente.

A divulgação dos documentos acrescenta uma informação objetiva à discussão, mas o episódio deve ser tratado separadamente de outras acusações e disputas institucionais relacionadas ao caso Master.

Isso é especialmente importante porque diferentes acontecimentos envolvendo Mendonça, Alexandre de Moraes, Polícia Federal, Procuradoria-Geral da República e Presidência do STF passaram a ocorrer simultaneamente, aumentando o risco de fatos distintos serem apresentados como se fossem uma única controvérsia.

Caso Master amplia tensão dentro do STF

A questão dos ternos aparece justamente em um momento de forte tensão dentro do Supremo. Desdobramentos das investigações relacionadas ao Banco Master provocaram acusações e questionamentos sobre a atuação de integrantes da Corte e de outras instituições.

Alexandre de Moraes solicitou ao presidente do STF, Edson Fachin, providências relacionadas à atuação de André Mendonça em investigações envolvendo o Banco Master e outros casos. Mendonça, por sua vez, esteve envolvido em decisões que deram publicidade a informações relacionadas a Moraes.

Fachin passou então a buscar esclarecimentos formais de diferentes autoridades envolvidas nos acontecimentos. Essa é a pauta central da matéria anterior e não deve ser confundida com a discussão específica sobre as notas fiscais apresentadas por Mendonça.

Embora os acontecimentos estejam conectados pelo contexto do Banco Master, cada um possui fatos e documentos próprios. Isso permite que sejam tratados jornalisticamente como pautas distintas, desde que os títulos e enfoques deixem essa diferença evidente.

O que muda com a apresentação das notas?

A apresentação das notas fornece a resposta documental de Mendonça à suspeita específica de que as roupas teriam sido custeadas por terceiros. Os registros informados totalizam R$ 26.430 e correspondem a compras realizadas na alfaiataria mencionada nas reportagens.

Isso não significa que todas as questões relacionadas ao caso Master ou aos contatos do ministro estejam encerradas. As notas respondem especificamente ao questionamento envolvendo o pagamento das roupas.

Outros aspectos, como as circunstâncias das aproximações, reuniões realizadas e procedimentos adotados nas investigações, pertencem a frentes diferentes da controvérsia e podem continuar sendo objeto de apuração e debate institucional.

Do ponto de vista jornalístico, essa distinção é essencial: uma nota fiscal apresentada como resposta a determinada suspeita não deve ser descrita como comprovação ou refutação automática de acusações diferentes daquela relacionada à compra registrada no documento.

Por que essa notícia importa?

O episódio envolve transparência e prestação de esclarecimentos por uma autoridade integrante da mais alta Corte do país. Quando surgem suspeitas relacionadas a possíveis benefícios recebidos por autoridades, documentos que indiquem quem realizou pagamentos tornam-se relevantes para a avaliação pública dos fatos.

Também demonstra a importância de separar alegações, evidências documentais e conclusões. A suspeita de que terceiros teriam bancado as roupas surgiu a partir da interpretação de mensagens divulgadas publicamente; Mendonça respondeu apresentando documentos fiscais relacionados às compras.

Cabe às apurações jornalísticas e, quando aplicável, às instituições responsáveis verificar o conjunto das informações antes de estabelecer qualquer conclusão sobre eventual irregularidade.

Por isso, a matéria deve apresentar tanto a origem dos questionamentos quanto a resposta do ministro, evitando transformar uma suspeita ainda em discussão em uma afirmação definitiva.

Contexto e próximos passos

O episódio das notas fiscais continuará inserido no contexto mais amplo das revelações relacionadas ao Banco Master. Novos documentos e esclarecimentos poderão ajudar a esclarecer as circunstâncias dos contatos mantidos entre personagens ligados ao banco e autoridades.

Paralelamente, o Supremo enfrenta outras discussões institucionais envolvendo Mendonça e Moraes. Essas frentes possuem objetos diferentes e precisam ser acompanhadas separadamente para evitar que acusações distintas sejam misturadas.

A apresentação dos R$ 26.430 em notas representa, portanto, um desenvolvimento específico: é a resposta documental de André Mendonça à suspeita envolvendo o pagamento de roupas adquiridas em uma alfaiataria.

O caso continuará dependendo da análise dos documentos, das versões dos envolvidos e de eventuais novos elementos que sejam divulgados. Até lá, a existência das notas e a suspeita que motivou sua apresentação devem ser apresentadas como partes distintas do mesmo episódio, sem antecipar conclusões sobre eventual irregularidade.

Fonte principal: Folha de S.Paulo — Mendonça apresenta notas de R$ 26,4 mil após suspeita envolvendo ternos

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