Lula prepara discurso na ONU em meio a tensões com os Estados Unidos

Sophie Bramley
Por Sophie Bramley 6 Min Read

Presidente deve defender soberania brasileira, multilateralismo e não interferência estrangeira durante discurso marcado para 22 de setembro, em Nova York

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se prepara para discursar na Assembleia Geral das Nações Unidas na próxima terça-feira, 22 de setembro, em um momento de tensão nas relações entre Brasil e Estados Unidos. A expectativa é que o presidente brasileiro coloque a defesa da soberania nacional, do multilateralismo e da não interferência estrangeira entre os principais pontos de sua fala. Lula deve evitar citar diretamente o presidente norte-americano Donald Trump, mas temas relacionados às relações entre os dois países devem aparecer de forma indireta no pronunciamento. (UOL Notícias)

A participação ocorre poucas semanas antes do primeiro turno das eleições brasileiras, marcado para 4 de outubro. Por isso, o discurso também deverá mencionar a importância da preservação das instituições democráticas e do respeito às decisões internas de cada país. Segundo informações do Itamaraty, o conteúdo da fala ainda pode sofrer alterações até o momento da apresentação. (Folha de S.Paulo)

Soberania e não interferência devem estar no centro do discurso

Lula deverá defender na ONU o princípio de que países estrangeiros não devem interferir em processos políticos internos. A posição ocorre após uma série de atritos diplomáticos entre Brasília e Washington, incluindo divergências sobre comércio, segurança pública e questões relacionadas às eleições brasileiras.

Segundo informações divulgadas pelo Itamaraty, a expectativa é que o presidente também destaque a necessidade de fortalecer o multilateralismo e o direito internacional. A agenda brasileira deve incluir ainda a defesa de negociações diplomáticas para conflitos internacionais e uma discussão sobre a necessidade de reformas na estrutura de governança global. (Folha de S.Paulo)

A fala de Lula também acontece em um contexto de novas discussões sobre a relação entre Brasil e Estados Unidos. As duas administrações divergem em temas como tarifas comerciais, combate ao crime organizado e a atuação de organismos internacionais. O governo brasileiro tem defendido que questões de segurança sejam tratadas por meio de cooperação internacional, respeitando a soberania e as normas do direito internacional. (Folha de S.Paulo)

Relação com Trump adiciona componente diplomático à viagem

Embora não esteja previsto um encontro formal entre Lula e Trump, os dois presidentes estarão em Nova York durante a abertura da Assembleia Geral. O Itamaraty informou que não havia, até o momento, uma reunião bilateral oficialmente confirmada entre os dois, embora um contato eventual nos bastidores seja possível. (Folha de S.Paulo)

A relação entre os governos também é marcada pelas divergências comerciais. Produtos brasileiros estão sujeitos a tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos, enquanto Brasília contesta parte das justificativas apresentadas pelo governo norte-americano. A questão comercial deve fazer parte do contexto diplomático da viagem, ainda que Lula não cite diretamente Trump durante o pronunciamento. (Folha de S.Paulo)

Outro ponto de atrito envolve segurança pública. O governo norte-americano passou a pressionar o Brasil sobre o combate ao crime organizado, enquanto o governo brasileiro sustenta que o enfrentamento às organizações criminosas deve ocorrer por meio de cooperação entre países e dentro das regras internacionais. A questão deverá aparecer no discurso de Lula como parte de uma discussão mais ampla sobre crime transnacional e soberania. (Folha de S.Paulo)

Agenda internacional inclui guerras, ONU e governança global

Além das relações com os Estados Unidos, o discurso de Lula deverá abordar temas tradicionais da política externa brasileira. Entre eles estão a defesa do multilateralismo, a reforma do Conselho de Segurança da ONU, a preservação ambiental e a busca por soluções diplomáticas para conflitos internacionais, incluindo as guerras em Gaza, na Ucrânia e no Sudão. (UOL Notícias)

Lula também deve aproveitar a viagem para tratar de questões relacionadas à própria estrutura das Nações Unidas. O presidente terá encontro com o secretário-geral da organização, António Guterres, e a agenda deve incluir discussões sobre a iniciativa ONU80 e a reforma do Conselho de Segurança. O Brasil historicamente defende uma ampliação da representação dos países em desenvolvimento nas estruturas de decisão internacional. (Folha de S.Paulo)

A viagem está prevista para começar no domingo, 20 de setembro, com retorno na terça-feira, após o discurso. A programação inclui reuniões bilaterais e outros compromissos diplomáticos em Nova York. Um possível encontro com o prefeito da cidade, Zohran Mamdani, também está sendo considerado durante a passagem do presidente pelos Estados Unidos. (Folha de S.Paulo)

O pronunciamento de 22 de setembro terá, portanto, uma dimensão diplomática e política relevante. Lula deverá apresentar posições brasileiras sobre soberania, democracia, comércio, segurança e governança internacional, enquanto o governo acompanha os efeitos das divergências com Washington. Como o discurso ainda está em elaboração, o conteúdo definitivo poderá sofrer mudanças até a abertura da Assembleia Geral.

Fontes principais: UOL — Na ONU, Lula defenderá soberania, mas sem citar ações do governo Trump · Folha de S.Paulo — Lula deve defender não interferência estrangeira na ONU · Folha de S.Paulo — Lula abordará combate ao crime organizado na ONU.

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