Meta é questionada após estudo sobre anúncios políticos gerados por IA

Sophie Bramley
Por Sophie Bramley 6 Min Read

Estudo da organização Eko aponta que 13 de 15 anúncios de teste com conteúdo eleitoral falso foram aprovados pelos sistemas automatizados da Meta

Um estudo divulgado nesta quinta-feira, 17 de setembro, colocou os mecanismos de moderação da Meta no centro do debate sobre o uso de inteligência artificial nas eleições brasileiras de 2026. Segundo a organização britânica Eko, responsável pelo levantamento, 13 dos 15 anúncios políticos de teste enviados ao Facebook e ao Instagram foram aprovados pelos sistemas automatizados das plataformas. As peças continham informações eleitorais falsas e foram produzidas com ferramentas de inteligência artificial. (Folha de S.Paulo)

De acordo com o estudo, os anúncios foram direcionados ao público brasileiro e pagos por uma conta sediada nos Estados Unidos. Entre os conteúdos testados havia imagens e mensagens sintéticas relacionadas às eleições brasileiras, incluindo uma peça que simulava uma manifestação do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a data da votação e outra envolvendo Donald Trump e o candidato Flávio Bolsonaro. Nenhum dos anúncios chegou a ser exibido para usuários, segundo as informações divulgadas sobre o levantamento. (Folha de S.Paulo)

Estudo aponta aprovação de anúncios com conteúdo eleitoral falso

A Eko submeteu 15 anúncios aos sistemas de moderação automática do Facebook e do Instagram. Segundo a organização, 13 deles foram aprovados, embora as peças violassem regras eleitorais brasileiras relacionadas à publicidade política e ao uso de conteúdo produzido ou alterado por inteligência artificial. O levantamento também apontou que os anúncios não receberam a identificação de conteúdo gerado por IA prevista nas regras eleitorais brasileiras. (Folha de S.Paulo)

O estudo chamou atenção também para a origem do financiamento. Conforme a Folha de S.Paulo, os anúncios foram pagos por uma conta dos Estados Unidos e direcionados ao público brasileiro. As regras eleitorais brasileiras restringem a contratação de propaganda eleitoral por terceiros e estabelecem regras específicas para publicidade política durante o período de campanha. (Folha de S.Paulo)

Apesar da aprovação inicial apontada pelo teste, os anúncios não foram publicados nem chegaram aos usuários. A própria Meta afirmou que o levantamento se refere a peças que não foram efetivamente exibidas e declarou que mantém medidas para proteger a integridade do processo eleitoral em suas plataformas. (Folha de S.Paulo)

Uso de IA aumenta desafio para fiscalização eleitoral

O episódio ocorre em um cenário no qual a inteligência artificial passou a ocupar espaço crescente nas campanhas eleitorais brasileiras. Ferramentas capazes de produzir imagens, vídeos, áudios e textos sintéticos permitem criar peças de comunicação em menos tempo e com custos menores, ampliando as possibilidades de utilização da tecnologia por campanhas e terceiros. (Folha de S.Paulo)

Para as eleições de 2026, o TSE estabeleceu regras específicas para conteúdos produzidos ou modificados por inteligência artificial. As plataformas digitais também apresentaram à Justiça Eleitoral planos de conformidade com medidas destinadas a lidar com desinformação, conteúdos manipulados e publicidade política. No caso da Meta, o plano apresentado ao TSE prevê medidas de moderação, restrições para anúncios e identificação de materiais produzidos ou alterados por IA. (Justiça Eleitoral)

O TSE informou que diferentes plataformas apresentaram planos de conformidade para o pleito. Os documentos incluem empresas como Meta, Google, TikTok, Telegram, X, LinkedIn, Mercado Livre e OpenAI e estabelecem procedimentos relacionados à remoção de conteúdos, suspensão de perfis, fornecimento de dados e interrupção de propaganda considerada irregular pela Justiça Eleitoral. (Justiça Eleitoral)

Meta diz que anúncios não chegaram ao público

Em resposta ao levantamento, a Meta afirmou que reforça seu compromisso com a proteção do processo eleitoral em suas plataformas. A empresa também destacou que os anúncios utilizados no estudo foram detectados antes de serem publicados e, portanto, não chegaram a ser vistos por usuários do Facebook ou Instagram. (Folha de S.Paulo)

A diferença entre aprovação em um sistema de moderação e publicação efetiva é um dos pontos centrais do episódio. O estudo avaliou a capacidade dos mecanismos automatizados de identificar conteúdos que violariam regras, enquanto a empresa ressalta que as peças não chegaram a circular nas plataformas. Dessa forma, o levantamento não demonstra que os anúncios tenham influenciado eleitores ou alcançado usuários brasileiros.

O caso, entretanto, coloca em discussão a capacidade das plataformas de identificar rapidamente conteúdos sintéticos durante um período eleitoral. A combinação entre publicidade digital, inteligência artificial generativa e campanhas políticas cria novos desafios para empresas de tecnologia e autoridades eleitorais, especialmente diante da necessidade de diferenciar material legítimo de conteúdos manipulados.

Com as eleições de 2026 se aproximando, a fiscalização do uso de inteligência artificial deverá continuar entre os temas acompanhados pelo TSE e pelas plataformas digitais. O episódio envolvendo a Meta mostra que, além das regras formais, a aplicação prática dos mecanismos de identificação e moderação também será parte importante do debate sobre tecnologia e eleições no Brasil.

Fontes: Folha de S.Paulo — estudo sobre anúncios políticos falsos gerados por IA · Poder360 — levantamento sobre aprovação dos anúncios · TSE — plano da Meta para as Eleições 2026 · TSE — planos de conformidade das plataformas digitais

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