A FourAgro avalia projetos de silvicultura considerando o horizonte de retorno mais longo e o tempo necessário para a maturação da floresta antes de estruturar a operação de crédito.
A FourAgro observa um interesse crescente de produtores rurais e empresas por projetos de silvicultura, especialmente o cultivo de eucalipto e pinus voltado ao abastecimento de indústrias de papel, celulose, siderurgia e biomassa energética. Diferente de culturas agrícolas de ciclo anual, um projeto florestal costuma levar entre cinco e sete anos até o primeiro corte comercial, o que muda substancialmente a lógica de planejamento financeiro em comparação com outras atividades do agronegócio.
Segundo a companhia, esse horizonte mais longo costuma exigir atenção redobrada ao tipo de crédito escolhido, já que a propriedade ou empresa precisa arcar com o custo da terra, do preparo do solo, das mudas e da manutenção da floresta ao longo de vários anos antes de qualquer retorno com a venda da madeira. A empresa relaciona essa realidade à forma como estrutura projetos de aquisição de terras destinadas à silvicultura, considerando desde o início o descompasso entre o prazo de pagamento do investimento e o prazo de maturação da atividade.
Diferença entre aquisição de terra para silvicultura e para outras culturas
Uma propriedade destinada à silvicultura costuma ter avaliação distinta de uma área voltada a grãos ou pecuária, já que características como tipo de solo, disponibilidade de água, relevo e distância até a indústria compradora da madeira influenciam diretamente a viabilidade do projeto. A FourAgro afirma que essa avaliação prévia é um dos primeiros pontos discutidos com o cliente que busca a empresa para estruturar a aquisição de uma área florestal, antes mesmo de definir a modalidade de crédito mais adequada.
A companhia afirma que o consórcio pode ser uma alternativa para esse tipo de aquisição justamente pela ausência de juros sobre a carta de crédito, o que reduz o custo total da operação ao longo de um investimento que já naturalmente demora anos para gerar retorno. Ainda assim, a empresa reforça que a contemplação de uma cota não tem prazo determinado, mesmo com reforço de lance, o que exige do cliente margem de flexibilidade para conciliar o momento da contemplação com o cronograma do plantio.
Equipamentos para manejo florestal também entram no planejamento
Além da terra, um projeto de silvicultura costuma demandar equipamentos específicos para preparo do solo, plantio, manutenção e colheita da madeira, itens que representam parcela relevante do investimento total. Fundada por quatro sócios com formações complementares, dois bacharéis em Direito, um engenheiro civil e um administrador, a FourAgro relaciona essa formação multidisciplinar à forma como analisa tanto os aspectos contratuais da aquisição de terra quanto as características técnicas dos equipamentos de manejo florestal.
Segundo a empresa, cada projeto é tratado de forma individualizada, considerando o porte da área a ser plantada, o tipo de equipamento já disponível na propriedade e o cronograma esperado até o primeiro corte comercial. A companhia também mantém relacionamento comercial com administradoras de consórcio e instituições bancárias, o que, segundo ela, amplia as alternativas disponíveis para adequar prazo e modalidade a um investimento com retorno concentrado em um horizonte de vários anos.
Presença no agronegócio aproxima a empresa de produtores que diversificam a atividade
A atuação da companhia em feiras do agronegócio, como Agrishow, Bahia Farm Show, Show Rural, Agrotins e Norte Show, também tem colocado a FourAgro em contato com produtores que avaliam diversificar parte da propriedade para a silvicultura, seja como fonte adicional de receita no longo prazo, seja como forma de aproveitar áreas menos adequadas para agricultura ou pecuária. Segundo a empresa, esse contato ajuda a compreender de perto os diferentes formatos de entrada nesse tipo de atividade, do pequeno produtor que destina parte da área à empresa que planeja um projeto florestal de maior escala.
Para clientes que já possuem parte da propriedade destinada à silvicultura e avaliam expandir a área plantada, a companhia afirma considerar o conjunto de terras e equipamentos já envolvidos no projeto florestal, e não apenas o valor isolado da nova aquisição, já que essa decisão pode impactar o fluxo de caixa disponível para outras áreas da propriedade nos anos seguintes.
Contrato de fornecimento com a indústria muda o perfil de risco do projeto
Parte dos projetos de silvicultura já nasce vinculada a um contrato de fornecimento de madeira com uma indústria compradora, formato comum entre produtores que plantam eucalipto ou pinus próximo a fábricas de celulose, papel ou siderúrgicas. Segundo a empresa, esse tipo de contrato costuma reduzir a incerteza sobre a comercialização futura da madeira, o que pode tornar mais previsível o planejamento do crédito usado para financiar a aquisição da terra e dos equipamentos de manejo.
Já produtores que optam por plantar sem um contrato de fornecimento previamente definido assumem um risco comercial adicional, já que o preço da madeira no momento do corte pode variar conforme a demanda da indústria na região. A companhia afirma que essa diferença entre projetos com e sem contrato de fornecimento é discutida logo na etapa inicial de estruturação, já que influencia diretamente o nível de conservadorismo recomendado para o prazo e o valor do investimento.