O Dr. Vinicius Rodrigues costuma citar um estudo japonês com mais de 70 mil mulheres de 40 a 49 anos para explicar o lugar da ultrassonografia das mamas: associar o exame à mamografia aumentou a detecção de cânceres em fase inicial, sobretudo em mamas densas. O resultado mostra o valor do método, mas também ajuda a esclarecer uma dúvida frequente. A ultrassonografia complementa a mamografia em situações específicas, sem ocupar o lugar dela no rastreamento.
Como funciona o exame
A ultrassonografia utiliza ondas sonoras de alta frequência, que atravessam os tecidos e retornam ao aparelho formando imagens em tempo real. Não há radiação ionizante, o que permite repetir o exame quantas vezes forem necessárias, inclusive durante a gestação e a amamentação.
A paciente fica deitada, com o braço elevado, enquanto o médico desliza um transdutor coberto de gel sobre as mamas e as axilas. O procedimento é indolor, dura em média de 15 a 30 minutos e não exige compressão. Como as imagens são obtidas e interpretadas durante o exame, a experiência de quem o realiza influencia bastante o resultado.
Para que serve a ultrassonografia?
A principal função é esclarecer achados. O exame diferencia com precisão nódulos sólidos de cistos com conteúdo líquido, avalia alterações percebidas na palpação e caracteriza imagens que a mamografia mostrou de forma incompleta. Também é o método preferido para examinar linfonodos da axila.
Em mulheres com menos de 40 anos, gestantes e lactantes, costuma ser o primeiro exame diante de um sintoma. Segundo Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, a ultrassonografia também é a ferramenta mais utilizada para guiar biópsias por agulha, porque permite acompanhar o trajeto da agulha até a lesão em tempo real.
Complemento, e não substituto da mamografia
A ultrassonografia tem uma limitação importante: identifica mal as microcalcificações, que podem ser o primeiro sinal de alguns tumores, especialmente do carcinoma ductal in situ. A mamografia continua sendo o único exame de rastreamento com redução de mortalidade comprovada em grandes estudos populacionais.
Por esse motivo, o ultrassom entra como complemento em grupos selecionados, como mulheres com mamas densas ou risco aumentado. A associação aumenta a detecção, mas também eleva o número de achados que exigem investigação e se revelam benignos. Na avaliação de Vinicius Rodrigues, a indicação deve considerar o perfil de cada paciente, e não ser aplicada de forma automática a todas.
Preparo e cuidados antes do exame
O exame não exige jejum nem preparo especial. A recomendação é evitar cremes e loções nas mamas no dia, usar roupas que facilitem a retirada da parte de cima e levar exames anteriores, tanto ultrassonografias quanto mamografias, para comparação.
Mulheres que menstruam podem preferir os dias logo após a menstruação, quando as mamas estão menos sensíveis. Informar cirurgias prévias, próteses, sintomas e uso de hormônios ajuda o médico a direcionar a avaliação para as áreas de interesse e a interpretar melhor alterações que poderiam gerar dúvida.
O que significam os termos do laudo
O laudo descreve os achados com termos padronizados. Nódulo hipoecoico é aquele mais escuro que o tecido ao redor; contornos circunscritos, ou bem definidos, tendem a indicar benignidade, enquanto margens irregulares ou espiculadas aumentam a suspeita. Lesões mais largas do que altas costumam ser mais tranquilizadoras do que as orientadas no sentido vertical.
Ao final, o exame recebe uma categoria BI-RADS, a mesma escala usada na mamografia, que indica o grau de suspeita e a conduta recomendada. Conforme explica Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, entender esses termos ajuda a paciente a acompanhar o raciocínio do laudo, mas a interpretação final depende da correlação com o exame clínico e com os demais métodos de imagem.
